Desde o surgimento do campo dos estudos métricos da informação e da consolidação das métricas tradicionais de avaliação da ciência é comum vermos na literatura, críticas sobre o uso indiscriminado de suas medições. Parte das insatisfações se relacionam à supervalorização dos componentes quantitativos da produção e uso em detrimento de aspectos qualitativos, pouca transparência quanto aos critérios de aferição e principalmente o uso indevido de indicadores que nascem com um propósito específico (como o fator de impacto, medição de uso baseado em citações que uma revista recebe) e que por vezes, acaba sendo utilizado para outros fins, como indicação de qualidade destas revistas ou avaliação dos pesquisadores que nela publicam.

Somam-se a esses aspectos a questionável imposição de indicadores hegemônicos que passam a ser aplicados globalmente em contextos distantes do qual foram construídos, o que cria distorções e amplia as assimetrias, sejam por países, regiões ou mesmo áreas de conhecimento. A métricas da informação têm revelado disparidades contextuais evidenciando núcleos de centralidade e periferia no desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação (CT&I). Com isso, a produção científica representa uma forma determinante para caracterizar as dimensões de força e expressividade de um ator geopolítico. Afinal, o desenvolvimento da CT&I de um país afeta, direta e indiretamente, a sua capacidade de domínio para estruturar um sistema de relacionamento regional ou global considerando influências pelo hard power ou soft power.

Essa discussão demanda um esforço da comunidade científica para reflexão e proposições sobre medidas multidimensionais mais balanceadas, tanto na concepção dos indicadores como na adoção e implicações destes. Torna-se pertinente nessa discussão e em seus desdobramentos, a centralidade do debate sobre “Métricas responsáveis: desafios e oportunidades para pesquisa e avaliação da ciência e tecnologia“, tema central da 8ª edição do Encontro Brasileiro de Bibliometria e Cientometria (EBBC) para ser realizado em Maceió, AL, no período de 20 a 22 de julho de 2022 em formato presencial.

A partir do intenso uso das tecnologias digitais nas atividades de pesquisa próprio do movimento da ciência aberta e diante das limitações, distorções e uso indiscriminado de indicadores de avaliação bibliométrica convencional, as métricas responsáveis ou responsible metrics, refere-se ao uso ético e apropriado de métricas tradicionais, alternativas e outros meios quantitativos de avaliação da pesquisa. Isso se aplica a todos os envolvidos no uso ou na produção dessas métricas, por exemplo: pesquisadores, financiadores, instituições de pesquisa, editores e empresas provedoras de serviços baseados em métricas.

A adoção de uma abordagem de métricas responsáveis tem despertado a atenção das comunidades científicas e sido considerada como uma boa prática que demanda reflexões e ações propositivas de todos para que os indicadores e a infraestrutura de dados a eles subjacente se desenvolvam de maneiras que suportem as diversas qualidades e impactos da pesquisa (acadêmico, econômico, social, dentre outros).

Com o objetivo de promover a aproximação de pesquisadores provenientes do campo da Ciência da Informação e de outras áreas da ciência que desenvolvem estudos de informação e comunicação em ciência e tecnologia, com diferentes enfoques, inclusive a da avaliação da atividade científica, o 8º EEBC além de dar continuidade ao fórum privilegiado que constitui, em relação aos estudos da área no Brasil, busca ampliá-lo no estímulo à colaboração entre estudantes e especialistas brasileiros e internacionais.

O evento é realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade de Alagoas (PPGCI/UFAL) e será sediado no Centro de Inovação do Jaraguá.